14 de abril de 2011

Trem Bala-perdida

Na esteira da tragédia de Realengo, a polêmica sobre armas de fogo renasce forte na mídia sensacionalista. Os especialistas discutem as providências do estado e os índices de criminalidade. No Congresso, vários políticos se aproveitaram da tragédia, num esforço para sair da sombra que foi criada pelo recente pronunciamento de Aécio Neves, que foi aparteado por uma grande lista de senadores. Logo em seguida, o País está sendo alvejado por um trem bala-perdida, que vai aniquilar de vez com a pobreza.
O Senado aprovou o projeto economicamente inviável do trem de alta velocidade, que será subsidiado eternamente pelos pobres. A justificativa da urgência deve ser o aumento das mortes por homicídio, combinado com o aumento da renda, com a qual os pobres estão engordando tanto, que precisam ser contidos pelo estado de calamidade, para a soma dos fenômenos não resultar em obesidade mórbida. A democracia é uma forma de governo de três lados. Dois são os lados de dentro, situação e oposição, que estão sempre brigando para se locupletar, e o lado de fora, a periferia marginalizada, que aplaude tudo sem entender nada, mas vai ter que pagar sorrindo todo o subsídio eterno do trem bala-perdida, que será construído meramente para ampliar a diversão dos ricos.

O criminoso do colégio carioca deixou pistas de que era um demente psicótico, mas os autores do projeto do trem bala, segundo o Senador Roberto Requião de Mello e Silva, não são psicóticos, são apenas assaltantes pecuniófilos descarados. As investigações revelaram que o jovem criminoso vinha apresentando sintomas de transtorno mental. Já os autores do projeto do trem bala demonstram insanidade quando alegam a urgência e a relevância do trem bala-perdida. Na busca de causas dessa tragédia, muitas teorias "científicas" são elaboradas, e a discussão se ramifica em vários caminhos teóricos, como: a facilidade de obter armas; o comportamento típico dos criminosos; à imitação irracional dos países ricos; a busca de fama e fortuna com grandes projetos genocidas; à influência dos jogos digitais violentos; o complexo de país subdesenvolvido; as relações e o acesso aos projetos criminosos via Internet, e finalmente o tratamento brutal das pessoas na infância e na juventude. Mas ninguém fala da infelicidade que é gerada por uma sociedade dominada por sociopatas, que é a verdadeira causa de todos os males. A miséria humana vai aumentar muito com os gastos absurdos e com o perene pagamento dos subsídios do trem bala-perdida, que retira dinheiro de todos os demais investimentos públicos para beneficiar poucos sociopatas que não sabem nem mais o que fazer com tanto dinheiro.

Na mídia, os psicopatas disfarçados de "cientistas", tentam induzir o seguinte "raciocínio" falacioso: "se o criminoso nessa tragédia tinha comportamento estranho e era doente mental, então todos os estranhos são doentes mentais e criminosos". Essa tese é falsa e perversa, porque tenta transformar os doentes mentais em criminosos. Os doentes mentais não são criminosos, porque eles não fazem projetos de trens bala-perdida para explorar eternamente a população ignorante. Deturpar a imagem dos doentes mentais é um ato perverso, irracional, é uma ação de extrema covardia. Essa proposição, assim como a proposta do trem bala-perdida, é uma ação típica de sociopatas insensíveis. Qualquer dia desses, esses extremistas vão dizer que os doentes mentais possuem até mentalidade com tendência política. Os sociopatas que dominam os países sem lei, sempre querem que as pessoas diferentes sejam prejulgadas e atacadas, tanto pelos medíocres, como pelas instituições policiais, unicamente por causa do comportamento potencialmente rebelde e antimonocrático. 

A repressão aos diferentes é uma atitude inconsciente, irracional, instintiva e normal, em quase todo o reino animal. Mas na sociedade humana esse instinto de perseguir os diferentes é uma doença cultural, que alimenta o racismo e todas as formas de preconceito e discriminação. Nenhum pobre vai poder viajar no trem bala-perdida sem o devido acompanhamento da vigilância sanitária. Toda agressão aos diferentes é uma atitude repressiva, que fere a liberdade de comportamento individual. Mas, esse comportamento covarde, caracterizado pela perseguição aos diferentes, causa muito prazer aos medíocres ignorantes, que fingem que se deixam enganar e manipular pelos sociopatas, para poder cometer ilícitos e maldades sem sentir remorso nem culpa nem medo, porque o mandante é o sociopata poderoso. Essa forma de sofrimento social é fruto direto da infelicidade eterna dos sociopatas, mas ela só se alastra tão facilmente na sociedade como uma cultura por causa da pouca inteligência, e pela maldade invejosa da felicidade alheia, que caracterizam os medíocres.

Assim, a tragédia do trem bala-perdida é uma grande festa para os sociopatas, porque vai garantir o aumento da pobreza e da miséria, e o sofrimento social vai praticamente se eternizar. A arte da política recomenda criar dificuldade para vender facilidade. Nesse contexto de sofrimento e revolta, os psicopatas vão usar sua maldade para conduzir as emoções dos ignorantes, e desviar o foco da atenção para longe da verdadeira causa da tragédias, que é a infelicidade humana. Na esteira da miséria que resultará dos gastos com o trem bala-perdida, os sociopatas ainda vão poder continuar lançando os medíocres sobre os incautos discordantes.

Os sociopatas são monstros irracionais insensíveis. Quando eles buscam cercear os direitos e liberdades individuais dos seres humanos, eles querem manter todas as pessoas tristes e infelizes, bebendo cerveja, vibrando com seu crack no futebol, e assistindo o gugu-faustão. A única mudança que esse malfadado projeto do trem bala-perdida trará para a sociedade, é que os pobres vão poder olhar e ser olhados, quando o trem bala-perdida blindado passar entre milhares de pobres em alta velocidade, conduzindo milhares de rostos sádicos, corados, sorridentes e perversos, sob uma chuva de balas traçantes de fuzil AR15.

Diante da complexidade do mundo moderno, os medíocres são, por consequência do hiato neuronial, pessoas infelizes, covardes e carentes. Por isso, eles tentam demonstrar coragem, poder e força, atacando e reprimindo os solitários, os intelectuais, os tímidos, os fracos, e todos que se comportam de forma diferente. A polícia sabe, e a invasão dos morros demonstra, que todo bandido é covarde. Portanto, agredir os fracos é apenas uma triste e desesperada busca de puxar o saco dos outros para amealhar algum afago do seu grupo bestial. O maior sonho do medíocre é ser convidado para se candidatar na política. Essa reação irracional contra os diferentes e os fracos é a causa do tão hoje tão falado "bulling", uma forma de crime que é praticado não apenas pelos jovens adolescentes durante a dança do acasalamento, mas por todas as faixas etárias da população, cada qual a seu próprio modo. Milhares de maridos pobres e bêbados ficaram viciados em espancar, e hoje praticam nas companheiras e filhos, depois de servir aos psicopatas torturadores da ditadura vergonhosa. Alguns se aperfeiçoaram tanto, que também enterram seus mortos no quintal de casa, e também vivem impunemente. 

Durante a ditadura vergonhosa muitos civis "certinhos" e bem vestidinhos, saíam de suas casas de "família", e iam gratuitamente participar de seções de torturas nas prisões, somente para se alimentar com o padecimento humano. Embora esses psicopatas da alta sociedade estejam agora privados assistir os espetáculos de tortura, que antes eram amplamente promovidos pela ditadura vergonhosa, eles ainda agora estão exercitando essa tara sádica nas instituições nacionais. O regime da crueldade explícita passou impune, mas eles continuam ativos, a maior diferença é, que agora, antes de iniciar a tortura, esses covardes precisam saber primeiro se não é alguém protegido, depois, é só observar as suas vítimas de perto para testar suas reações e identificar suas fraquezas, e finalmente realizar suas manobras doentias. Os psicopatas sempre se mostram certinhos para o público, mas quando estão no comando das instituições, externamente, eles praticam o tráfico de influência em busca de mais poder, e internamente, eles aproveitam para se realizar bestialmente, promovendo a cizânia, a calúnia, a difamação, o boicote, a perseguição, e o assédio sexual às mulheres e o assédio moral aos diferentes. 

Os psicopatas pensam que enganam facilmente os medíocres, porque esses idiotas não raciocinam, apenas repetem o que ouvem e imitam os outros. Além disso, eles são mentirosos, egoístas, medrosos e covardes, que se vendem muito barato. Por isso, o "projeto" inconstitucional do trem bala-perdida foi facilmente aprovado, apesar dos muitos que protestaram insatisfeitos com a divisão do dinheiro. A atividade social dos psicopatas esbarra justamente nas pessoas inteligentes, que entendem os fatos da realidade. As pessoas diferentes são difíceis de serem entendidas, porque os sociopatas são apenas especialistas em mediocridade. Por isso, os intelectuais, mesmo sem mentir nem esconder os fatos da vida, são sempre perigosos, enigmáticos, misteriosos para os psicopatas. O comportamento dos sábios é indecifrável para os sociopatas, porque esses monstros são guiados somente pelo egoísmo. Os psicopatas adoram os medíocres, porque estes são previsíveis e passivos, mas odeiam todos os rebeldes que reagem contra suas investidas doentias de dominação. Os medíocres não raciocinam, apenas tentam imitar os seus líderes, e agem por instinto. É por causa desse instinto irracional que as crianças diferentes estão sendo agredidas nas escolas pelos medíocres, e a multidão marginal está sendo vitimada pelos sociopatas com o projeto do trem bala-perdida.

O fato evidente, de que a grande maioria dos crimes, inclusive os mais bárbaros e sangrentos, são praticados por pessoas e aparentemente "normais", refuta a tese da ligação entre o comportamento diferente e comportamento criminoso. Os psicopatas apresentam, em público, um comportamento "politicamente correto". Os médicos psicólogos, psicanalistas e psiquiatras afirmam que é muito difícil reconhecer um psicopata apenas pelo seu comportamento. Os psicopatas e sociopatas são especialistas em imitar o comportamento considerado "certinho", e espelhar o comportamento dos medíocres, que é sempre o comportamento da moda. Os políticos que aprovaram o projeto do trem bala-perdida, são um exemplo disso, porque, rindo com sarcasmo da inerme oposição desesperada, eles se comportaram como qualquer pessoa vulgar. O discurso deles nunca vai exigir da parte dos torturadores da ditadura oculta nenhuma ação drástica de "diverticulite", mesmo porque, nenhum deles costuma ser aparteado com o mesmo vigor dos pronunciamentos do Senador Aécio neves.

O comportamento sempre "certinho" dos sociopatas não passa de fingimento para enganar os idiotas, para enganar os trouxas, enquanto eles aguardam a oportunidade para lançar seus próprios projetos de trem bala-perdida. Apenas a ansiedade pode prejudicar o sociopata em sua ação deletéria. Por exemplo, o "ex-reitor" que foi execrado por causa do encantamento causado pelo brilho no cinzeiro dourado, fingiu durante tanto tempo que era um comportado puxa-saco de gabinete, que quando pegou o pote de mel nas mãos, e a mosca azul pousou na cabeça, ele ficou tão ansioso e descontrolado, que teve uma ejaculação precoce de consumo, e se lambuzou todo moralmente, cobrindo de vergonha toda a categoria dos sociopatas profissionais. 

Assim, pelo que foi explicado nos parágrafos acima, em termos de crimes bárbaros e grandes ameaças aos cidadãos, o maior suspeito é justamente o homem de comportamento normal, aquele que imita o medíocre, cuja personalidade não apresenta nenhuma peculiaridade, desvio ou excentricidade. Por causa disso, estatisticamente, ao contrario do que é falado pelo senso comum, o "certinho" pode ser justamente o indivíduo mais perigoso para a sociedade, e deve sempre ser considerado o principal suspeito em todos os crimes bárbaros, mesmo sem usar uniforme. 

No mesmo dia em que ocorreu essa tragédia na escola de Realengo, que resultou em doze mortes, um terrível acidente rodoviário matou dezessete pessoas. Mas essa tragédia, estranhamente, apenas mereceu uma breve e curta nota no noticiário. Em contraste, a esperada morte de um jornalista da Rede Globo, que era previsível, porque ele se infiltrou no antro da criminalidade, causou uma ampla onda internacional de protestos midiáticos, que já dura vários anos, e que culminou com a pacificação dos pobres na favela do alemão. Cabe perguntar: por que as mortes nos colégios, e os crimes na alta sociedade, causam bem maior comoção midiática do que todos as outras tragédias, inclusive as chacinas, que são promovidas quase diariamente pelas polícias e milícias, superando infinitamente os projetos de trens bala-perdida? 

O perfil das vítima é a resposta para essa questão. Os criminosos, os marginais, as prostitutas, os pederastas pobres, os desempregados, os jovens, os membros das minorias e os adultos pobres, todos esses podem sofrer tortura, podem ser assassinados, podem sofrer espoliação todos os dias, que ninguém se incomoda. Ninguém gosta de pobre, porque este projeto genocida do trem bala-perdida, que vai fulminar a felicidade dos pobres definitivamente, não provoca nem mesmo um rosto corado de perua. Em contraste, um rico ou um famoso que foi apenas ofendido verbalmente já constitui bastante motivo para uma ampla reportagem. Viva a demoniocracia!

9 de abril de 2011

O cálculo prévio

A defesa do ataque é o máximo contra-ataque. Durante o tempo em que estivermos sob ataque nós devemos visualizar a situação global, e as oportunidades que a realidade nos oferece a escolher, é preciso considerar o adversário com indiferença, e com o mais profundo respeito.
Conheça antes a força do adversário, as ameaças não surgem apenas do nada, elas são coisas latentes, que podem ser ignoradas ou não, a qualquer tempo, tornam-se reais para nós, quando nós não as evitamos.
Primeiro passo, mentalize que o disparo do adverário foi efetuado, e depois pare a cena! imagine o que aconteceu exatamente a cada coisa, que vantagens posicionais adquiriu o adversário? que novas ameaças surgem desse novo posicionamento e quais de nossas cidadelas podem ser defendidas e mantidas?
Diante da nova realidade, o movimento do adverário já foi realizado, agora, nós precisamos tentar identificar várias coisas. Primeiro, sabendo que uma peça se moveu, vamos observar primeiro o óbvio, as mudanças.
Quais peças aumentaram o seu poder, e em quais pontos elas ameaçam, quais pontos do terreno perderam sua proteção, e que ameças imediatas há, de ambos os lados, em consequencia dos possíveis movimentos, movendo aquela peça mentalmente para cada posição possível.
Registramos mentalmente as ameaças possíveis, e procurando identidficar, quais das nossas opções de defesa poderia melhor neutralizar aquela vantagem imediatemente e ainda, atender ao nosso plano. A outra opção é não tentar neutralizar as ações do adversário, mas buscar se expandir em outra direção, compensando o ganho de poder do adversário com um aumento próprio de força equivalente. Mas, como escolher entre essas duas opcções?
É aqui o nosso ponto de contato com a Arte da Estratégia. O que é melhor? Defender, reforçando a defesa em cada ponto mais remoto do território de combate, ou se mover de forma coordenada para atacar o núcleo central do comando adversário. Devemos contra-atacar imediatamente aonde estamos sendo provocados, ou devemos atacar em algum outro ponto determinado para testar o ânimo do adversário?
Para resolver ese problema é preciso concentrar a energia mental na análise progressiva e serena de cada uma das posições futuras, dando cada passo de uma vez, sempre considerando cada nova posição, como se fosse uma nova partida, com uma nova estratégia.
Considerando a situação, identificamos, já no calor do combate, que o adversário realizou uma de suas potências, escolhendo uma posição nova. Ou seja, ele se moveu e preparou com isso uma ameaça que antes era latente, mas agora foi constitída para disparar logo no lance a frente, e segue com outras ameaças no seguinte etc..
É preciso investigar se é possível evitar que tal ameaça se realize, decerto, tentando evitar pelo menos de imediato, que aconteça o mal maior. Mas a situação atual nos oferece várias maneiras de evitá-lo. Qual delas escolher, como escolher?
Escolha a solução que impeça a realização da ameaça de forma definitiva, force o adversário a tomar outro caminho.
A situação atual, no jogo de Xadrez, é sempre constituída de um conjunto finito de possibilidades. Só um pequeno número de jogadas podem ser feitas a cada lance que se sucede. A escolha é irreversível. Então a mente do guerreiro precisa entrar serenamente para investigar os acontecimentos futuros que poderão ocorrer em cada porta existente adiante.
Para identificar as portas existentes percorra os diversos caminhos possíveis aleatoriamente, dado que todas serão verificadas na análise passo a passso. É preciso executar mentalmente cada uma das jogadas possíveis, desde as mais prováveis até e as mais improváveis sem discriminação ou preconceito, e observando seus detalhes.
Os detalhes são os alvos possíveis no campo adversário e as defesas possíveis. Faça o mesmo no seu próprio campo, considerando e avaliando o custo de cada ação em termos materiais e posicionais.
Dado mentalmente o primeiro passo de forma cuidadosa, em seguida avance mais rapidamente e percorra os passos seguintes de modo intuitivo. Essa é a fase da seleção da alternativas reais, e para cada uma delas investigue as únicas respostas que são realmente possíveis no próximo lance do adversário.
Volte ao caminho mais interessante de acordo com sua análise, explorando-o com atenção e concentração, observando os seus detalhes em busca de possíveis falhas na primeira análise intuitiva. Então, mentalize a nova situação, e avance mentalmente de acordo com um critério de seleção de alternativas, A esse exercício mental nós denominamos "cálculo prévio".
Retorne ao proceso de mentalização, passo a passo, e depois siga caminhos intuitivos, e repita mais um passo, e tente dar mais um passo, e caminhe desse modo, considerando os lances mais fortes em termos estratégicos e táticos, após estudar os elementos componentes do ataque dos adversários e todas as suas potenciais ameaças combinadas. Considere a vantagem principal e em seguida a secundária.

A arte da defesa

A Preparação para o Combate

No passado remoto, as negras jogavam para se defender. Mas foi o Campeão mundial Bobby Fischer, jogando num torneio contra mais poderoso da época, o então Campeão Mundial russo Vassily Smyslov, no ano de 1970, que demonstrou, que as negras podem praticar desde um defesa tenaz, até jogar para vencer. Aqui nesse ponto entra a Arte da Estratégia, a parte mais importante da Arte da Guerra.
A recomendação geral da arte da guerra para uma situação de conflito iminente, é que cada lado conheça a si mesmo e seu adversário, conhecer as prórias armas e as armas do adversário, como ocorre no início da partida, quando ainda nenhuma ameaça se concretizou. Uma ameaça possível só vai se concretizar em consequência de uma ação real da parte do nosso adversário, e apenas uma delas, uma das ameaça posíveis vai se tornar realidade, uma de cada vez, não todas ao mesmo tempo como pode ocorrer na vida real com um grande exército.
Quando estamos no início de uma partida de Xadrez, tudo que o adversário pode fazer é se mover, ou seja, dar o primeiro passo, realizar a sua primeira jogada. Nós permanecemos tranquilos e apenas ficamos de prontidão. Isso significa permanecer mentalmente atento ao que é mais importante de ser observado e meditado, que são as potencialidades defensivas e ameaças existentes em torno do nosso "Reino".
Segundo a recomendação dos mestres na arte da guerra, o nosso adverário, neste caso, o condutor das peças brancas, deveria testar o nosso ânimo para a luta, usando para isso de um estratagema qualquer, porque a posição inicial é de quase absoluta igualdade. A diferença é apenas o direito de realizar a primeira jogada, que pertence sempre ao jogador que conduz as peças brancas. Apenas por isso as peças negras são obrigadas a aguardar de forma serena o primeiro passo das brancas.
O estratagema recomendado na guerra convencional, em caso de aboluta igualdade de forças, é atacar, usando de forças ligeiras, algum ponto de grande importância do território inimigo, e observar como ele reage diante da nossa provocação.
Nós também sabemos que em seguida aos perigos do primeiro movimento virá outra e mais outra ameaça. Porque o nosso adversário real, durante uma análise de uma posição qualquer, é sempre considerado por nós o mais poderoso de todos. Ele é o mestre supremo. Se uma coisa pode ser feita então ele pode fazer. Se ele quizer fazer, ele fará, qualquer uma delas. Dele tudo podemos esperar. Nunca podemos jogar contando com um erro do advrsário, não posemos subestimar o nosso adversário.
Só o nosso próprio adversário pode tentar se desfazer da sua magnitude, cometendo erros voluntários, e nos concedendo vantagens. Da nossa parte isso não é possível. O nosso conceito é firme, ele, o noso adversário, é sempre o mais poderoso. Ele é aquele que tudo vê, aquele que sabe de tudo, aquele que realmente pode tudo, aquele que tira o melhor proveito de tudo.
Quando situação permite conhecer os planos do adversário
Para exemplificar a arte da defesa no Xadrez, em uma situação de conflito entre duas partes em igualdade de forças. O que essa partida tem de especial é uma exemplo daquilo que pode acontecer quando a posição revela os planos, e nós conhecemos o modo de agir do nosso oponente. Após o adversário assumir uma tendência que revele os eus planos, e nós traçamos um plano estratégico adequado aapresentamos a partida abaixo:

[Event ""] Experimental Chess Match ; [Site ""] intellectvs.blogspot.com; [Date "4-4-2011"]; [Round ""] one; [White "Chessmaster"]; [Black "Claydson"]; [Result "0-1"]; [ECO "oft "]
1. c4 ...
O conecido movimento 1. c4 ... caracteriza a famosa Abertura Inglesa, muito jogada em torneiros de grandes mestres. Mas esse é um lance bem tendencioso, porque destrói a estrutura de peões do lado da Dama e praticamente define a intenção das brancas em atacar na ala da Dama e realizar o roque pequeno. Imediatamente nós definimos a forma de agir, decidimos que o nosso avanço será na ala do Rei, atrair o adversário mas evitar o combate, deixando o centro bloqueado para evitar contrajogo, e finalmente deixando as posições de defesa intactas, na posição original que é a mais recuada possível, na ala da Dama, para o ataque branco consumir o máximo de energia e tempo.
1. c4 Cc6
A nossa resposta é uma provocação, criar imediatamente uma pessão no centro para testar o ânimo do adversário, utilizando forças ligeiras das categorias inferiores, conforme recomenda a Arte da Guerra.
2. d4 ...
A infantaria do adversário reage imediatamente em busca de atacar a nossa cavalaria ligeira estacionada em c6. O adversário quer tirar proveito das mínima vantagens imediatemente.
2. d4 e5
Conta-atacamos com a nossa infantaria a infantaria do adversário, oferecendo a ele a oportunidade de abrir o jogo com um combate em e5. Mas nosa infantaria em e5 está bem protegida pela nossa cavalaria em c6, e tal confronto resultaria na nossa ocupação do centro do tabuleiro com a nossa cavalaria bem posicionada, fazendo pressão em c4 etc.
3. d5 ...
As brancas decidem evitar a proposta das negras e preferem atacar e colocar em "fuga" e reduzir o domínio da cavalaria negra no centro, conquistar espaço central e ainda ganhar um tempo. Esse conjunto de vantagens é tudo que um grande mestrte desejaria obter.
Mas, assim fazendo, os incautos caem numa cilada estratégica posicional. A" fuga" do cavalo já etava prevista e tratava-se de um engodo. Na realidade é apenas um movimento de reagrupamento, porque pretendemos movimentar nossas peças da Ala da Dama para realizar um ataque na ala do Rei. O espaço central foi cedido pelas negras em troca da possibilidade de bloquear a posição central. O bloqueio central evita o contra-ataque no centro para neutralizar um ataque em uma das alas, uma conhecida recomendação da teoria clássica do Xadrez.
3. d5 Cce7
A cavalaria das negra segue atraindo o adversário incauto para avançar e se expor, enquanto as negras fingem que estão fugindo, movendo duas vezes a mesma peça na fase de abertura, o que constitui um erro de abertura nos dizeres da teoria clássica do Xadrez.
4. Cc3 ...
Desconfiado, o inimigo resolveu ser prudente, e não avançou a sua infantaria. Em vez disso ele resolveu usar a sua cavalaria da ala da Dama para proteger a sua infantaria que está estacionada em d5, e ao mesmo tempo, prevenir um avanço da nossa infantaria para e4.
4. Cc3 f5
Aproveitamdo o ensejo, insistimos em pressionar e4, provocando o adversário para um confronto nesse ponto. É uma tentação para as brancas porque nesse conflito elas sairiam em vantagem posicional, porque sua cavalaria ficaria bem posicionada no centro do tabuleiro, em uma posição aberta, na qual as brancas têm mais espaço de domínio e mais desenvolvimento de peças do que as negras. Isso é tudo que um jogador agressivo como um tiranossauro rex, que tenta se aproveitar das mínimas vantagens, desejaria no combate.
5. Cf3 ...
As brancas, resolveram avançar sua cavalaria da ala do Rei para ganhar um tempo atacando a infantaria das negras estacionada em e5. Elas resolveram provocar o avanço das negras para e4 para depois contra-atacar, usando de sua superioridade em desenvolvimento.
5. Cf3 d6
Essa defesa de e5 com o avanço da infantaria negra para d6 bloqueia o movimento do Bispo do Rei da negras e perde realmente um tempo. Mas, impede o avanço da infantaria branca em d5, iniciando o bloqueio da posição. Também liberta o Bispo da Dama das negras, que agora protege a infantaria negra em f5 e ambos fazem pressão na ala do Rei. A abertura da diagonal e8-a4, possibilitanto um xeque, cria mais um motivo para as brancas se manterem animadas com o seu ataque na ala da Dama.
6. e4 ...
Como as negras recusaram a oferta de avançar para atacar a cavalaria das brancas em f3, as branca resolveram partir para o confronto pelo domínio de e4, do qual sairiam com a cavalaria postada em e4, e seguir adiante na luta em uma posição aberta, confiando na superioridade de espaço e de desenvolvimento que tal confronto resultaria.
6. e4 f4
As negras preferem cerrar o centro e iniciar a construção da sua hegemonia na Ala do Rei, conforme recomenda Kasparov, cortanto o caminho do Bispo da Dama das brancas para a Ala do Rei.
7. Bd2 ...
Uma jogada típica de desenvolvimento, sem qualquer objetivo especial, que de fato apenas acelera o roque grande. Por outro lado, essa jogada também aparenta construir uma possibilidade de ataque, combinando a ação do bispo em a5 com a cavalaria da Dama em b5 para juntos atacarem em c7. Isso aconteceria depois de um ataque, combinando essa mesma cavalaria com a Dama branca colocada em a4 para ganhar tempo com o xeque, e ao mesmo tempo realizar um ataque duplo em a7 que só é defendida pela Torre da Dama das negras. O que irão decidir as brancas?
7. Bd2 h6
As negras estão muito atrasadas em desenvolvimento de peças, mas, apesar disso, realizam aparentemente apenas mais um lance defensivo, que não desenvolve nenhuma peça, se limitando a dominar a casa g5, que poderia ser usada pela cavalaria das brancas colocada em f3. Mas na verdade as negras apenas seguem o seu plano de obter hegemonia na Ala do Rei. Evidentemente, essa tímida jogada também prepara o avanço da infantaria para g5, construindo a posição designada de vitória que vai possibilitar o assalto final na Ala do Rei.
8. Bd3 ...
As brancas decidem insistir num ataque na Ala da Dama, movimentando seu Bispo do Rei para lá, combinado com o roque para a Ala do Rei. Evidentemente ela contaram os tempos necessários e diante de um centro bloqueado, o roque largo exigiria muitos lances de reagrupamento das Brancas antes de poder atacar de forma organizada. De fato elas tentaram tantas manobras de curto prazo que acabaram desarticuladas para agir em conjunto, estão meramente ocupando espaço sem ter mais nenhum plano de ataque consistente.
8. Bd3 b6
Essa jogada dificulta e retarda o avanço da infantaria das brancas para c5 com objetivo de confrontar a infantaria negra em d6 e abrir a posição. Por outro lado libera o Bispo da Dama das negras do compromisso de defender b7, soltando-o para agir na Ala do Rei, se for necessário.
9. O-O ...
Finalmente as brancas caem na cilada estratégica que foi planejada desde o primeiro lance das negras.
9. O-O g5
Esse avanço impede o movimento da cavalaria das brancas colocada em f3 para uma reação de contra-jogo na Ala do Rei via h4, finalizando a posição designada de vitória para as negras, contruindo finalmente sua hegemonia na Ala do Rei.
10. h3 ...
Uma ação tímida de defesa, que apenas adia o ataque das negras, mas enfraquece mais ainda a posiçao das brancas. O destino já está traçado...
10. h3 Cg6
A cavalaria das negras segue tanquilamente o seu rumo para o assalto ao Rei das brancas, cobrindo a casa h4 para poder avançar a infantaria para o combate planejado em g4
11. Bc2 ...
Tudo que reta fazer para as brancas em tentar criar confusão e gerar algum contra-jogo
11. Bc2 h5
O plano das negras segue implacável sem obstrução, preparando para retormar a posição g4 com a sua infantaria em h5, abrindo uma coluna de ataque com a peça pesadas diretamente para o interior do roque branco, aonde a única peça de defesa é o próprio Rei encurralado.
12. Ba4+ ...
As brancas seguem buscando contra-jogo, tentando inutilmente construir um ataque, e no mínimo provocar trocas para arrefecer o ataque das negras.
12. Ba4+ Rf7
O Rei negro simplesmente ignora a perda do roque e segue para o combate na Ala do Rei, deixando as brancas a ver navios, sem ter nada para atacar.
13. Bc6 ...
As brancas insistem em protelar o seu destino, meramente atacando uma peça sem perspectiva nenhuma de obter nenhum lucro.
13. Bc6 Tb8
A Torre negra se move para se defender, mas agora dificulta mais ainda o avanço da infantaria da brancas para c5.
14. Ce1 ...
A cavalaria do Rei das branca resolve recuar para se reagrupar e se mover para uma posição de sacrifício em busca de contrajogo.
14. Ce1 g4
O confronto da infantarias marca o início do inexorável assalto das negras na cidadela do Rei das brancas.
15. Cd3 ...
Liberando espaço e se preparando para um eventual sacrifício no centro para criar alternativas de contra-jogo
15. Cd3 Bh6
Medida para garantir que eventuais sacrifícios serão duramente punidos, bem como abrindo espaço para a movimentação da peças pesadas das negras ao longo da última linha.
16. hxg4 hxg4
Tudo acontece conforme havia sido previsto, agora as negras abriram uma coluna de ataque com peças pesadas diretamente para a o interior do roque das brancas.
17. g3 ...
As branca querem espaço para repirar e propõem trocas ...
17. g3 f3
Mas as negra se recusam a abrir a posição. A coluna da torre aberta ja é suficiente. Elas preferem encerrar o Rei branco em seu esquife definitivamente.
18. Bc1 ...
A troca do Bispo só acelera o ataque das negras e de nada adianta. As brancas preferem mover a peça para libertar sua dama do compromisso de dar proteção ao bispo.
18. Bc1 Df8
A rainha negra entra em cena
19. Be8+ Rxe8
Início do desespero total as brancas começam a entregar as suas peças para retardar sua morte sem outra mínima compensação, além de um xeque ...
20. Da4+ Rf7
21. Cxe5+ Cxe5
outro acrifício inútil em troca de um mísero tempo
22. Dd1 Dg7
A Dama branca não sabe o que fazer, a Dama negra, ao contrário, não tem a mínima dúvida... segur seu caminho inexoravelmente
23. Cb5 Dh7
Agora a posição fatal está preparada e pouco resta a fazer para evitar a morte do Rei da Brancas.
24. Cxd6+ cxd6
Coisa triste...
25. Da4 Bxc1
A dama branca fica possuida pelo desespero, enquanto o bispo negro abre o caminho para sua Dama "finalizar" o Rei das brancas.
26. Dxa7+ Bb7
A brancas ainda esperneiam ...
27. Dxb7+ Txb7
Lamentável situação ... mesmo um jogador comum teria desistido há muito tempo
28. Tfxc1 Dh1#
Uma morte há muito tempo anunciada!
0-1